Preciso de 3 pílulas.

Para dormir. Para acordar. Para aguentar até a próxima pílula.

A vida agora se molda em caixas de remédio. As agendas são carregadas no bolso junto com a caderneta telefônica, relógio, internet e redes sociais, máquina fotográfica, editor de texto. Tudo junto em um aparelho que já foi um celular.

Tudo a mão e cada vez mais distante.

Não conversamos, teclamos, não olhamos nos olhos, vemos na cam.

Eu não consigo mais nem imaginar como as pessoas se encontravam sem celular.

Se alguém se atrasa, tu te preocupa e liga. Antes não era assim. Com certeza não e por isso as pessoas se sentiam melhores.

Informação é preocupação nunca sossego.

Não quero mais bytes, quero toques. Não quero mais e-mails, quero conversas. Não quero mais Facebook, quero roda de amigos.

Sabem porque a vida real não tem botão curtir? Porque ela é mais perfeita que a vida virtual.

Olhar e sentir nunca será menos que ler e fuçar.

Já chega de virtualites.

* Mais um dia de olímpico. acho que hoje vai ser um vinhozinho pra acompanhar o tempo chuvoso.

* Button venceu Melborne, ousou, rodou, venceu. Coragem pra vencer, cai bem o conceito.

* Porque perguntamos se não acreditamos na resposta? A credibilidade do perguntado deveria limitar as perguntas, algo como um start-up natural.

No Olímpico, me sinto em casa.

As pessoas em volta com algo em comum, algo forte, que move, fascina, faz sonhar e sofrer.

A alegria une as pessoas, mas com certeza a dor é mais eficiente nisso.

Hoje estava só em casa, no Monumental, sem amigos, sem ninguém por perto que me conhecesse e assim, me senti livre, depois de tanto tempo preso no olhar dos que me reconhecem.

É bom ser mais um na multidão, sem palco, sem holofotes. Apenas eu e meu Grêmio.

Eu consigo pensar, sentir melhor eu mesmo. O silêncio do meu quarto é agonia, o canto no estádio é tranqüilidade.

***

Bem, e quanto a pequena que vinha me aporrinhando a tranqüilidade, sobretudo no silêncio é agora um mal superado.

Poucos problemas resistem a um bom processo de racionalização.

Logo, o lugar ao lado está vago; *-*

Meu deus, que avalanche que venho causando. A escolha por algo sem rugas causa rugas, disse uma vez um amigo.

hoje sei que ele quis dizer. Mon dieu.

Espero que o colo da Naná esteja ainda me esperando. E vou querer mais sexta tb.

Preciso disso mais do que esperava.

Acho que o ciúme é um sentimento básico e auxiliar.
Básico pois qualquer um pode senti-lo e já vem equipado com isso. Não é preciso aprender a sentir ciúmes.
Auxiliar na medida em que acompanha outros sentimentos, não é independente.
Pra sentir ciúmes de algo, ou alguém, é preciso ter algum sentimento por este.
Nem sempre sabemos que sentimos algo para alguém, logo o ciúme pode nos mostrar por quem sentimos algo e servir pra entendermos melhor o que sentimos. Nem sempre percebemos que estamos interessados em algo ou alguém até o ciúme aparecer.
Por isso busco encarar o ciúme de forma didática. Ele existe independente da força que faça para ele não aparecer, por isso tento entende-lo e saber o que ele está acompanhando.
Será que o ciúme é tão forte mesmo? Ou apenas o supervalorizei.

Eu tenho por princípio seguir princípios.

O que mais me move, e que chamaria de principal se não tivesse medo de errar é a auto-proteção. Tento não me expor nunca.

Sou fechado, é uma característica, mas quando bebo… Ligo pras pessoas, mando mensagens, falo o que não devo e até o msn é uma arma contra mim.

Não que me torne falso, simplesmente me torno transparente e isso tem um custo.

É doloroso abrir portas e deixar os outros entrar e arriscado. afinal, como saber quando alguém vi esbarrar num vaso e quebrar ele?

Mas que graça tem um palacete de um morador só e sem visitas?

Hora da visitação pública!

Assisti ao filme “Was Nützt Die Liebe in Gedanken”, traduzido para o título deste post, a pouco e escrevo sob forte influência do mesmo.

Como é possível que uma paixão que vem rápida seja mais forte que o carinho intenso e um amor dado com força sem nada pedir em troca?
É, o gostar não funciona como devia, alguns de fato nascem para serem amados e outros para amar, é possível ser um pouco dos dois, difícil mesmo é encaixar dois meios termos.

O filme mostra de forma tocante, marcante e violenta o que pode acontecer quando se ama e como podemos machucar com gestos aqueles que gostam de nós.
Assei o filme todo com vontade de abraçar Elli e mandar aos quíntaros aquela que não soube gostar. Vontade de carregar no colo aqueles olhos arregalados e medrosos e fazer eles brilharem.

Mas é fácil querer casais felizes e mudanças nessas paixões não correspondidas nos filmes, torcer por um personagem ou que se forme um casal, mas acabamos, em boas produções, nos colocando nas situações ou relembrando coisas que vivemos e o certo não é tangível quando somos atores de nossa própria vida. Ah que tranquilidade teríamos se pudéssemos nos assistir e controlar o que sentimos. Que alívio teria sendo o diretor ao invés de estar nessa peça sem lógica , sem diretor e sofrendo por não conseguir sair das armadilhas de sofrimento que este belo roteiro de drama que é o que vivo me pregou.

Eu já tive uma Elli pra mim, que me amou a seu modo. Faz tempo e achei que me afastar a faria entender melhor que não seria correspondida, ignorei a dor por que ela passava, apenas fugi com as palavras vazias que esses momentos nos proporcionam, “não é isso que sinto por ti” e blá blá blá.
Queria poder fazer brotar sentimento em mim pra dar a quem queria-me tanto, mas isso não pode acontecer, não gostamos de quem merece por gostar da gente.
Mas mesmo isso tendo acontecido, não entendo as atitudes do Paul no filme e tampouco deixei de querer que ele retribuísse aquilo que estava senso dado a ele.Suas atitudes não fazem sentido assim como as minhas nunca poderão ser explicadas.

Ele deveria ficar com quem o merecia. Mas qual a fórmula secreta pra fazer brotar sentimento?
Ele não conseguiu, eu não consegui, tampouco acho possível.
Ele ficou só, Elli ficou só, mas a vida nem sempre é capaz de somar 1 + 1 e juntá-los.
Ficarei só? E quanto a minha Elli, faz tempo e já não me pertence mais seu destino, mas estranhamente ainda guardo as cartas que ela me escreveu.
De versos batidos e uma sinceridade e pureza de sentimento que me fizeram temer vê-las. Eguei um envelope novo em folha e lacrei com muita cola as suas palavras, mas não me livrei delas. Não joguei fora, não queimei apenas isolei de mim, simplesmente deixei fora de alcance sem deixar de estar perto.

Me pergunto se essa será a única a sentir algo assim por mim e se não foi meu medo de perder tal sentimento que me fez afastar.

Mas acho que não foi isso, apenas não gostava e achei que em outras esquinas acharia algo pra sentir algo assim. É, jovens se enganam com freqüência.

Sou fã de F1.

Levantei olhei para os lados e pensei, a porcaria do despertador não tocou. Não fazia idéia de onde estava o celular e se o pegasse após falhar comigo, o atiraria na parede, sai com os olhos ainda meio fechados até a sala. Cheguei lá e o horário não me dizia nada da porta, maldita miopia. Me aproximei e vi a hora, 8h05min. Pensei comigo, droga, perdi a largada.

Voltei pro meu quarto pra ligar a TV e olhei pro lugar e nenhuma TV, estive trocando as coisas e lá estava a tv no chão. Tinha tirado ela para instalar o computador no lugar. Olhei desolado mas não mexi em nada, a vontade de ir no banheiro, ouvi aquele barulho de cachoeira pensando numa hipotética largada, até nas malditas tempestades de areia pensei. Voltei correndo pro quarto e carreguei a TV pro lugar, liguei pra finalmente ver a corrida e… Droga, onde coloquei a maldita antena? Finalmente desisti da TV do quarto (decisão que tinha que ser tomada antes, se eu não tivesse dormindo em pé).

Cheguei na sala e quando coloquei na Globo, outro programa. Perdi a maldita corrida, me veio a cabeça a raiva por não ter acordado, a culpa por ter dormido tão tarde e principalmente a ira do celular que não despertou. Fiquei 20 segundos olhando o rapaz da televisão falar de mel e abelhas e me toquei que algo estava errado, fiz o cálculo e a corrida que começava as 8 horas, termina as 10h e não tem mas nenhum programa deste tipo. Voltei pro relógio já achando que estava alguma coisa errada e ele estampava a hora, 8h09min. O encarei por 30 segundos até compreender o óbvio, a corrida começa as 9 horas!

Uma escolha acarreta o fim de algumas possibilidades. Ao entrarmos pela porta da direita, não podemos mais escolher a da esquerda, mas percebi que vai além disso.
Quando entramos por uma porta, temos acesso a muitas outras, mas temos outra consequencia, a impossibilidade total e absoluta de descobrirmos o que existia por trás das escolhas que deixamos de fazer.
Escrevi aqui, ou num outro canto, que sentia como tendo que escolher entre meus escritos e pesquisas e um carro grande tamanho família com crianças que teriam além dos cabelos cacheados, o péssimo hábito de querer comprar bobagens no supermercado com súplicas de “só hoje, pai”.
Acho que ver as coisas por esse panorama me fez fugir de algumas coisas, mais especificamente supermercados, crianças e o fim da minha graduação.
Mas parar e deixar as coisas de lado também é uma escolha, e mesmo que não dê pra perceber em que lugar estamos, ocupamos um espaço.
Não sei se quero entender o espaço que estou, mas com certeza quero aproveitá-lo sem fantasmas batendo a porta e me convencendo de que deveria ter escolhido a porta da direita. Acho que pensar no passado pode ser uma inesgotável fonte de auto-engano, porque, vejamos, veremos sempre ele dê uma forma equivocada, ao menos no que tange os efeitos de nossas escolhas sobretudo aquilo que deixamos de lado.
Porque, na mesma medida que abrimos a porta da direita e vimos o que não era o que esperamos, não temos idéia do que havia na porta da esquerda. E não adianta voltar pra tentar dar uma espiadinha, porque atrás dessas portas, sempre há uma realidade modificada a cada momento, por cada decisão e sentimento que todos tem, e com todos falo além dos infelizes envolvidos.
Mas isso não me faz deixar de me perguntar o que passa na cabeça das pessoas e rege suas decisões? O que faz o cara que tem tudo para estudar mais e mais e fazer aquilo que gosta se enterrar num emprego que nada tem a ver com ele? O que faz uma pessoa mudar sua forma de agir por descobrir os sentimentos que sente por alguém? O que faz alguém escolhar a casa e tudo que antes parecia aquilo que se deve ter distância para se sentir seguro? Como é possível ver outro caminho a 30 cm de distância e agir como se os dias não tivessem passado e não tívessemos aberto a porta errada? Como seguir em frente sabendo que o caminho que escolhemos não nos leva a montanha que desejamos? Porque a inércia é a rainha das vontades daqueles que nunca se permitem andar na contra-mão?
O que é estar seguro? O que fazer quando aquilo que queremos não nos faz bem? Como não cair nas cotidianices se temos medo da estrada esburacada que nos leva pra onde queremos ir? Porque nos sentimos bem por caminhos que não conhecemos e temos tanta dificuldade em enxergar a felicidade que está aqui do lado?
O que será que tinha atrás daquela outra porta mesmo?

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